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17:01 | 14/03/2008 Veja mais datas
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A parte que te cabe


Acionistas nos EUA e no Reino Unido vêm aceitando alternativas ao pagamento de dividendos em dinheiro


Daniela Milanese, de Londres


Para quem está acostumado a receber regularmente um dinheirinho de dividendos daquela ação bem guardada na carteira, vale a pena conhecer as regras de remuneração dos acionistas mundo afora. Nos últimos anos, aconteceu uma verdadeira revolução nas políticas de distribuição de lucros no exterior. O Brasil, por enquanto, passa longe dessa virada, mas as práticas e a atratividade das companhias nacionais tendem a ser afetadas pelo que se adota nos principais mercados.
Enquanto no mercado brasileiro as companhias abertas são obrigadas a distribuir pelo menos 25% do lucro para os investidores, nos Estados Unidos e na Europa essa exigência não existe. “As empresas podem escolher a forma de usar os recursos”, afirma a estrategista global da administradora de recursos britânica Standard Life Investments, Frances Hudson.
Isso pode soar menos interessante para o pequeno investidor, mas há críticas à distribuição de pelo menos 25% do lucro, obrigatória para as companhias brasileiras. Afinal, se a administração é boa, saberá – pelo menos em teoria – escolher a melhor forma de aplicar os ganhos e valorizar o negócio no médio e longo prazo, com benefícios para todos os acionistas. Aliás, a própria remuneração de acionistas com dinheiro está caindo em desuso. O número de empresas que paga dividendos despencou nos últimos anos nos EUA e na Europa. A onda de novatas nas bolsas desde os anos 90, especialmente do setor de tecnologia (que precisam reinvestir o lucro no próprio crescimento), ajuda a explicar esse movimento.
Mas a grande mudança mundo afora vem da força que a recompra de ações ganhou nas últimas décadas. Aqui surge outra diferença significativa em relação ao mercado brasileiro, que praticamente só conhece a distribuição em dinheiro de uma parte do lucro. Nos EUA e cada vez mais na Europa, a estratégia preferida das empresas é aplicar o caixa na compra de suas próprias ações.






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